A tirania infantil e a educação permissiva: uma reflexão

Ela faz de tudo para ser o centro das atenções, é impulsiva e passional. Tenta mandar nos pais, grita com eles e pode agredi-los fisicamente quando é contrariada. Quer ter sempre a última palavra e faz birra até conseguir o que quer… Essa criança provavelmente está deixando seus pais de cabelo em pé. Mas isso é “normal”? Depende.

A criança nasce sem nenhum mecanismo interno para lidar com frustrações, e sempre que as coisas não saem do jeito que quer e na hora que quer, ela irrita-se, chora e grita. Além disso, como ainda não possui noções de valores, propriedades, espaços e direitos alheios, quer tudo o que está à sua volta, acha que tudo lhe pertence e existe só para si. É um comportamento egoísta e tirano, que ocorre desde o nascimento, mas que deve ser progressivamente dissipado pelo processo de educação desenvolvido pelos pais.

Acontece que os pais não são perfeitos e é comum nos depararmos com aqueles que encontram dificuldades na dinâmica educacional, quando devem ajudar seus filhos no processo de compreenção e amadurecimento emocional. É necessário entender que a criança se enxerga baseado na maneira como é tratada pelos adultos responsáveis por ela. A maneira como ela vai interagir com o mundo na fase adulta será determinada pelas experiencias sociais da infância e o discernimento, a consciência de seu valor pessoal, é constituído em primeiro lugar na interação com a família nuclear e, depois, na interação com os outros. Suas percepções de ética, respeito, liberdade e compaixão serão delimitadas pelos adultos responsáveis por sua educação. Independentemente de a personalidade influenciar no comportamento da criança, é o ambiente familiar que mais vai influenciá-la na sua formação e na construção da sua identidade, que ocorre durante a infância a adolescência.

A criança aceita como apropriado o repertório de ações e reações oferecido pelos adultos responsáveis por ela. Assim, se são tratadas com agressividade e intolerância, crescerão achando que merecem ser tratadas dessa forma e reproduzirão tal comportamento. Se forem negligenciadas, levarão para a vida adulta a dura sensação de que suas necessidades não têm importância. Muita crítica, exigência e autoritarismo podem fazer com que a criança se sinta inadequada, incapaz e indigna de confiança. Se ela sente que não é ouvida, pode crescer insegura e dependente. Por isso é necessario que os pais estejam muito atentos aos seus atos e atitudes.  Não dar limites ou ser rígidos ao extremo, fazer tudo pelo filho, como pegar algo que caiu da sua mão, juntar seus brinquedos, ou qualquer outra coisa que poderia fazer sozinho, brigar entre si ou desautorizar o cônjuge diante do filho, não dar regras claras e consistentes, ora permitindo, ora proibindo que algo seja feito, deixando a criança confusa, são algumas das atitudes que podem contribuir para a permanência do comportamento tirano em seu filho. A permissividade é venenosa.

Substituir uma autoridade amorosa por uma permissividade vazia, convertendo a presença física e real por recursos materiais é apoiar a formação de um indivíduo egoista e tirano, que não vacilaria em passar por cima de outras pessos para conseguir o que quer.

Adultos que não desgrudam do celular, do computador ou da televisão, por exemplo, fazem uma presença física que caracteriza o pseudo-cuidado, causando na criança uma confusão a respeito de seu papel e do lugar que ela ocupa naquela relação, fazendo com que ela se sinta inadequada, sem impotância. A superproteção também é um mal. Pais que não querem ver seu filho triste ou frustrado, que sentem culpa por não poderem dar mais tempo a ele, que não desejam ter de presenciar uma birra e lidar com a agressividade do filho, que têm medo de perder o seu amor e não querem que seu filho viva sob o mesmo regime autoritário que viveram quando eram crianças, tendem a superproteger o filho. Eesse comportamneto dos pais desprotege e não garante um desenvolvimento emocional saudável para a criança. Traz aos superprotegidos a crença de que são incapazes e por isso os adultos resolvem tudo por elas e fazem tudo o que elas querem. Crescem dependentes da aprovação alheia, inseguros, desconfiados de suas próprias capacidades e habilidades e se tornam adultos que acreditam que o mundo estará sempre pronto a atender seus desejos e compreender suas demandas.

Independentemente do que a levou a continuar com seu comportamento tirano, seja a superproteção ou educação muito rígida, a criança tirana crescerá com dificuldades para lidar com a frustração, poderá tornar-se um Bully (aquele que pratica bullying, violência física e psicológica de forma gratuita), ter dificuldade em se relacionar sadiamente com outras pessoas, se tornar um profissional insubordinado e/ou autoritário, tornar-se intolerante, teimoso, narcisista e agressivo e poderá chegar ao extremo de cometer delitos ou fraudes para conseguir o que quer.

Então o que fazer? Não há um manual, mas é certo que uma diretriz pode cunduzir a um desenvolvimento emocional saudável: os pais não devem ter medo tampouco pena de dizer “não”, devem estabelecer regras claras e necessárias, mas sem exageros e não ceder às suas birras ou chantagem emocional.

É necessário ter pulso firme ao dar-lhe uma ordem, pois o filho precisa reconhecer a sua autoridade. A criança precisa de tarefas e responsabilidades como juntar os próprios brinquedos, colocar suas roupas sujas no lugar certo, juntar aquilo que espalhou, cuidar dos seus pertences, arrumar o próprio quarto, servir outras pessoas. É preciso ensinar o filho sobre a relação dinheiro/trabalho; pode-se dar pequenos trabalhos (que não sejam tarefas rotineiras, pois ele precisa aprender a ajudar sem esperar recompensa) e pagar por isso. Ele precisa compreender o quanto os pais se sacrificam para ganhar dinheiro.

Dedicar tempo ao filho, dando a ele um espaço na sua vida, ouvindo-o, mantendo o diálogo, ensinando-o a respeitar as outras pessoas, sendo exemplo de equilíbrio, moderação e amor também é muito importante. É imperativo dar uma punição adequada, sempre que necessário e, após puni-lo por um erro, demonstrar seu amor, fazendo com que ele veja os pais como pessoas que o amam e querem o seu bem. Quando assumem a responsabilidade de educar uma criança, os pais precisam ter em mente que sua postura contribuirá fortemente para o tipo de indivíduo que ela será no futuro e entender que são exemplo, que a criança não fará o que se diz, mas copiará o que se faz. No fundo, as crianças precisam é de alguém que as acolha, ame, escute, dê limites, as incentive e valorize, para que sigam seguras a cada batida que derem suas asinhas ávidas por espaço e descobertas.

Comentários

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Korey

1 ano atrás

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BrianCem

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